O mundo já enfrentava conflitos demais para perceber que uma ameaça muito maior estava prestes a se revelar. Quando os primeiros relatos de uma doença desconhecida começaram a surgir em meio à Guerra Sem Honra, na Faixa de Gaza, a situação parecia apenas mais uma tragédia em uma região marcada pela violência. Os infectados apresentavam sintomas incomuns, como enxaquecas, febre alta, pele fria e sensibilidade ao calor. Nos casos mais graves, porém, deixavam de ser reconhecíveis como seres humanos, transformando-se em criaturas violentas. Diante da gravidade dos relatos, a Organização das Nações Unidas convocou os personagens para lidar com a crise, reunindo indivíduos cujos interesses nem sempre coincidiam, mas que seriam obrigados a olhar para o mesmo problema.
Heróis e vilões partiram em direção à região, embora não pelas mesmas razões. Enquanto os primeiros suspeitavam do envolvimento de grandes ameaças e se preparavam para intervir, os segundos enxergavam uma oportunidade de encontrar seus adversários reunidos. Nenhum deles compreendia, entretanto, a verdadeira dimensão do que estava prestes a acontecer. A origem da epidemia não estava em uma arma convencional nem em um plano terrestre, mas na queda de um objeto desconhecido nas proximidades da Palestina: a Totalidade, uma esfera de energia cuja presença desencadeava a transformação dos infectados.
Em meio aos bombardeios, a chegada daquele objeto passou despercebida. Quando os personagens finalmente compreenderam que estavam diante de algo diferente, a doença já havia avançado. Israel continuava suas ofensivas, civis eram atingidos, e os esforços de resgate se misturavam à violência do conflito. Os primeiros infectados começaram a se transformar nos chamados Predadores Alfa, criaturas dotadas de capacidades extraordinárias, que atacavam indiscriminadamente e espalhavam a contaminação. A batalha deixou de ser uma disputa entre heróis e vilões e se tornou uma luta pela sobrevivência de todos os envolvidos. Ao final do confronto, milhares de pessoas haviam sido contaminadas, e os Predadores se dispersaram pelo mundo, levando consigo a ameaça que acabara de nascer.
Foi entre os escombros que os sobreviventes encontraram a esfera responsável por aquela crise. Sem compreender inteiramente sua natureza, precisaram decidir o que fazer com ela e como impedir que o desastre se repetisse. A Totalidade foi encaminhada para a Torre de Vigilância, enquanto os personagens começaram a organizar suas próprias frentes de atuação. Surgiram três grandes grupos: os Caçadores de Predadores, encarregados de perseguir e combater o exército inimigo; os Protetores da Medicina, responsáveis por proteger os hospitais, estudar a epidemia e desenvolver uma cura; e os Guardiões da Totalidade, incumbidos de manter a esfera protegida. Outros personagens, sobretudo entre os vilões, poderiam seguir interesses próprios, tentando interferir nos esforços dos heróis, roubar o objeto ou impedir a descoberta de uma cura.
Uma semana depois, o mundo já começava a desmoronar. Os Predadores avançavam sobre cidades inteiras, e cada tentativa de contê-los parecia insuficiente diante da velocidade com que se multiplicavam. Em Londres, os Caçadores descobriram que as criaturas estavam se tornando mais poderosas, manifestando capacidades que indicavam uma ligação com a espécie marciana. Os confrontos deixaram vítimas pelo caminho e obrigaram o grupo a abandonar qualquer expectativa de retornar tranquilamente à Torre de Vigilância. Sem recursos suficientes e isolados em um posto avançado, os personagens passaram a enfrentar não apenas o inimigo, mas também o desgaste físico e psicológico de uma guerra que parecia impossível de vencer.
Enquanto isso, os Protetores da Medicina descobriram que a contaminação não dependia exclusivamente de mordidas ou do contato com a Totalidade. A simples proximidade prolongada dos Predadores também era capaz de transmitir a doença, tornando praticamente impossível determinar quem estava seguro. A descoberta precisava ser comunicada aos demais grupos, mas a situação no hospital se deteriorou rapidamente. Supersoldados do governo invadiram a instalação, convencidos de que os próprios heróis haviam criado a epidemia para destruir a Terra. O confronto danificou parte do prédio, comprometeu a segurança dos pacientes e deixou os sobreviventes presos em meio a uma tempestade que se aproximava.
Na Torre de Vigilância, os Guardiões também foram colocados à prova. Os Predadores invadiram a instalação para alcançar a Totalidade, provocando um apagão e obrigando os personagens a assumir o controle da estrutura enquanto tentavam impedir o roubo. A partir daquele momento, a proteção da esfera se tornou tão importante quanto o combate à epidemia. Se ela caísse nas mãos erradas, ninguém sabia quais seriam as consequências.
O tempo avançava, e a esperança começava a desaparecer. Uma tempestade persistente cobria os céus, as comunicações falhavam e os grupos se isolavam cada vez mais. Os Caçadores, ainda estabelecidos em Londres, receberam um chamado para investigar uma praia na Escócia, onde animais também haviam sido contaminados. A epidemia já não se limitava aos seres humanos: criaturas que antes raramente apareciam na superfície estavam sendo transformadas em Predadores Alfa. Os personagens precisaram atravessar novamente os céus, enfrentar a ameaça e procurar abrigo em uma gruta, sem perceber que outra onda do exército inimigo se aproximava.
No hospital, a crise assumiu contornos ainda mais perturbadores. Pessoas mortas havia dias começaram a se levantar, reanimadas pelo parasita dos Predadores. Embora conservassem a aparência de simples civis, suas mentes haviam sido consumidas e seus poderes despertados. Os personagens foram obrigados a enfrentar inimigos que carregavam os rostos de pessoas que poderiam ter tentado salvar, colocando em questão os limites da própria moralidade. Alguns poderiam acreditar que ainda existia alguma possibilidade de recuperação; outros enxergariam apenas corpos sem vida que precisavam ser detidos. Ao final, os restos das criaturas se reuniram em um único monstro híbrido, obrigando os sobreviventes a enfrentar mais uma ameaça antes que uma nova horda alcançasse o hospital.
Os Guardiões da Totalidade também perderam qualquer sensação de segurança. Caso a esfera tivesse sido roubada, precisariam seguir o rastro dos Predadores até outro planeta, enfrentando tanto o exército invasor quanto os defensores daquele mundo. Caso ainda estivesse protegida, teriam de resistir a um novo ataque à Torre de Vigilância, onde os próprios funcionários comuns seriam usados como reféns. Os caminhos eram diferentes, mas todos conduziam ao mesmo resultado: uma ofensiva dos Lanternas Vermelhos destruiu parte da estrutura e lançou os personagens para fora dela. Os três grupos terminaram aquela etapa da guerra feridos, exaustos e sem garantias de que conseguiriam sobreviver ao confronto seguinte.
A situação atingiu um novo patamar quando os Caçadores de Predadores despertaram aprisionados, cercados por criaturas inimigas. Diante deles havia um palco macabro, uma guilhotina e cabeças de pessoas mascaradas, identificadas como heróis. Os personagens testemunharam a execução de Warlock, o Senhor da Guerra, e compreenderam que também estavam destinados àquele destino. Precisariam se libertar das correntes e reagir antes que fossem chamados para morrer. Caso falhassem, seriam obrigados a assistir às execuções seguintes. Superada a prisão, enfrentaram os Predadores, seus soldados mais poderosos e as naves que sustentavam a ofensiva. Foi entre os registros dos inimigos que encontraram uma informação decisiva: um mapa holográfico identificava a esfera de energia como Totalidade e indicava o local de sua próxima queda, nas montanhas da Suíça.
Ao mesmo tempo, os Protetores da Medicina enfrentavam uma invasão destinada a destruir a cura. Congelados no início do ataque, assistiram ao massacre de quase toda a equipe médica e perceberam que os inimigos não estavam ali simplesmente para eliminá-los. O verdadeiro objetivo era impedir que a humanidade encontrasse uma maneira de sobreviver à epidemia. A batalha precisava ser conduzida para longe dos equipamentos e das pesquisas, pois a destruição da cura poderia condenar incontáveis pessoas. Durante o confronto, um dos médicos foi mordido e percebeu que em poucas horas se transformaria em um Predador. Antes que isso acontecesse, aplicou em si mesmo o tratamento experimental que vinha sendo desenvolvido. A cura funcionou. Pela primeira vez, havia uma prova concreta de que a contaminação poderia ser revertida.
No espaço, os Guardiões da Totalidade travavam uma batalha desesperada contra os Lanternas Vermelhos e os Predadores que os perseguiam. Sem a possibilidade de retornar à Torre de Vigilância, precisavam sobreviver em um cenário onde praticamente não havia onde se esconder. Enquanto tentavam escapar, descobriram que a Totalidade estava prestes a retornar à Terra. Sua energia tornou-se cada vez mais instável, até que uma explosão a lançou em direção ao planeta.
Os três grupos receberam as informações e partiram para as montanhas da Suíça. Apesar dos ferimentos, do cansaço e da contaminação que já avançava pelos organismos de alguns personagens, todos convergiram para o mesmo ponto. A Totalidade caiu sobre a Terra, provocando um impacto poderoso o suficiente para estremecer as montanhas. Por um instante, o cenário pareceu suspenso diante da magnitude daquele acontecimento. Então, uma mão colossal surgiu dos confins do Universo, tão imensa que a luz do Sol mal conseguia atravessar os espaços entre seus dedos.
A entidade finalmente se apresentou. Perpétua havia chegado para reclamar aquilo que considerava seu por direito.
A verdadeira dimensão da crise tornou-se evidente. Os Predadores Alfa não eram apenas criaturas descontroladas, e a epidemia não era um desastre isolado. Tudo fazia parte de uma ofensiva ligada a uma entidade cósmica que pretendia recuperar seu poder e impor sua vontade sobre a criação. Três dragões de três cabeças saltaram da mão gigantesca e avançaram sobre os personagens, enquanto uma multidão de Predadores cercava as montanhas. Os heróis e seus aliados estavam diante de uma inimiga capaz de afundar países com um simples toque, e a batalha que se iniciava parecia ultrapassar qualquer possibilidade de vitória.
Ainda assim, os personagens resistiram. Dividiram-se novamente em três grupos, cada um encarregado de enfrentar um dos dragões e parte do exército, enquanto tentavam impedir que Perpétua alcançasse a Totalidade. A esfera tornou-se a peça central do confronto: aqueles que a tocavam recuperavam as forças, tinham os ferimentos fechados e sentiam a exaustão desaparecer. Quanto mais Perpétua se aproximava, mais intensa parecia ser a resposta daquela fonte de energia. Por alguns instantes, a possibilidade de vencer deixou de parecer impossível.
Os dragões foram derrotados, o exército foi contido e os personagens sobreviveram aos ataques que a entidade lançou contra eles. Mas a resistência dos heróis não foi suficiente para impedir o verdadeiro objetivo de Perpétua. Enquanto todos lutavam para preservar a Terra, sua mão colossal rompeu as defesas e alcançou a Totalidade. A esfera foi capturada, e a entidade desapareceu nas sombras do Universo, levando consigo aquilo que havia motivado toda aquela guerra.
A Terra sobreviveu, mas a vitória permaneceu incompleta. Com a retirada do exército, os sobreviventes precisaram encarar as consequências de tudo o que havia acontecido: cidades devastadas, vítimas ainda infectadas, Predadores espalhados pelo planeta e uma sociedade obrigada a reconstruir o que restava. A descoberta de uma cura oferecia uma possibilidade de recuperação, mas não apagava o sofrimento nem devolvia as vidas perdidas. Os personagens haviam enfrentado uma ameaça que se revelou muito maior do que qualquer conflito terrestre e, mesmo depois de resistirem ao seu exército, não conseguiram impedir que Perpétua conquistasse aquilo que desejava.
Assim terminou A Ascensão da Perdição: não com a derrota definitiva da antagonista, mas com a sobrevivência de um mundo que mal compreendia a dimensão do perigo que havia enfrentado. Perpétua havia recuperado a Totalidade, e o império que pretendia construir permanecia como uma ameaça para o futuro. A guerra chegava ao fim, mas suas consequências continuariam a moldar os acontecimentos seguintes do Multiverso. Os personagens precisariam seguir em frente, reconstruir suas vidas e permanecer heróis mesmo depois de uma derrota. Afinal, a Terra havia sido salva, mas a batalha pela própria criação estava longe de terminar.
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Início: 11/07/2026
Término: 05/09/2026
Total de capítulos principais: 07 capítulos
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